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quarta-feira, 7 de maio de 2014

NÃO É PARA PENSAR?

NÃO É PARA PENSAR?

Na Ucrânia, primeiro os Estados Unidos e a União Europeia despejaram bons milhões de dólares, na mídia, nos partidos conservadores e nos grupos mascarados, para depor o governo legitimamente constituído.
O discurso foi o de sempre: corrupção, corrupção, corrupção...
Empossados os golpistas , o povo descobriu rapidamente onde se meteu: entregaram o país a uma quadrilha neonazista, ladra e atrelada ao capital internacional, e está reagindo.
O discurso lá é o de pregar a violência, o ódio de classes, o desprezo a tudo que seja nacional e pobre, dividindo o povo, rachando a nação, levando-a para uma guerra civil.
E o mercado imobiliário londrino se aquece, segundo a mídia internacional.
E o meu atento leitor me perguntará: o que tem a ver o mercado imobiliário num extremo da Europa, por causa da instabilidade política no outro extremo?
Parte dos golpistas ucranianos têm imóveis residenciais em Londres, parte está comprando às pressas.
Muitas das decisões da oposição venezuelana são tomadas nos Estados Unidos e na Europa, por venezuelanos que residem lá, em permanente ponte aérea com Caracas.
Se atentarmos ao Brasil, os discursos cada vez mais se radicalizam, e o que deveria ser campanha eleitoral vai tomando ares de luta de classes, aberta, com postagens, nas redes sociais, e notícias, na mídia, carregadas de cada vez mais ódio.
E quanto menos politizados os cidadãos, mais desconhecedores do que está acontecendo, ignorando os mecanismos da política internacional, mais ódio devotam e externam, reduzindo a política a mecanismo compensatório das próprias frustrações, fazendo do discurso político divã de psicanalista.
Enquanto isso os que fomentam esse estado de coisas agem sem nenhum compromisso ou escrúpulo com o povo, o seu futuro e até com a sua segurança, tratando-o como objeto das suas intenções escusas.
Se der errado, para eles há porta de saída e porto seguro.
Os nossos heróis da direita também têm imóveis no exterior, prontos para recebê-los fugitivos da justiça, a começar por Joaquim Barbosa, com luxuoso apartamento em Miami, e Fernando Henrique Cardoso, com um dos mais luxuosos apartamentos de Paris, em bairro nobre.
Se ganharem no golpe, levam o país para a Europa e os Estados Unidos. Se não ganharem vão sós.
Os que ficarem que enterrem os seus mortos e tratem dos seus feridos.

Francisco Costa
Rio, 07/05/2014.
                                     
                                          Imagem Net

VAMOS ACABAR COM A SURUBA?

VAMOS ACABAR COM A SURUBA? 
PLEBISCITO JÁ!

Tenho achado a militância da esquerda, particularmente do PT, meio omissa, indiferente ao clamor de alguns partidos, e particularmente de Lula e Dilma, para o Congresso estabelecer a data de um plebiscito, com o povo brasileiro autorizando uma Constituinte específica e limitada, a da ordenação política brasileira, reorganizando-a, de maneira a dificultar a fraude, as mentiras e manipulações; a prevalência de interesses pessoais e partidários, com prejuízo para os interesses do país e do seu povo; a necessidade de loteamentos de cargos, autarquias e ministérios, para tornar possível a governança; a corrupção...
A primeira coisa a se acabar é com o bipartidarismo, cópia do Estados Unidos (Republicanos/Democratas), descaradamente importado pela Ditadura Militar (ARENA/MDB), e que até hoje vigora, criando dois balaios de gatos: na direita, capitaneado pelo PSDB, misturam-se de neonazistas a neoliberais, passando por fascistas, neofascistas, liberais, golpistas... E na esquerda, orbitando o PT, desde comunistas ortodoxos a trabalhistas, passando por comunistas de diversas tendências, socialistas dos mais diversos matizes, sociais democratas...
Rebeldes à situação, extremistas dos dois lados, o que cria um verdadeiro surrealismo político, com grupos que se dizem revolucionários sendo financiados por dólares mandados por ONGs norte americanas e pela Fiesp, ou se dizendo neoliberais e aplaudindo o Bolsa Família.
A segunda questão é a da fidelidade partidária, com duas obrigatoriedades: só pode ser candidato quem tiver pelo menos cinco anos de filiação a um partido, de maneira a acabar com as siglas (partidos) de aluguel, onde se compra o direito de ser candidato, criando afinidade ideológica entre o político e o partido, o que atualmente não acontece e cria situações no mínimo pândegas, com um mesmo partido de aluguel aglutinando candidatos comunistas e neoliberais, juntos, no mesmo palanque e no mesmo horário eleitoral, pedindo votos para o mesmo partido, confundindo a cabeça do povo, que acaba votando em quem patrocinou o churrasco ou deu um jogo de camisas novo ao time do bairro, quiçá não tenha pago dentaduras, laqueaduras de trompas ou muletas, as vezes reembolsando a passagem do eleitor, da residência à zona eleitoral, para votar, ou patrocinando o hot dog com guaraná natural (quem mora nas periferias urbanas sabe que é assim).
A segunda obrigatoriedade é a de só poder ser candidato quem não tiver sentença condenatória por improbidade administrativa, malversação de fundos ou corrupção em qualquer instância, porque o que assistimos é a promoção de ladrões municipais a ladrões estaduais e de ladrões estaduais a federais, a cada eleição.
Como a Lei da Ficha Limpa, como está, só veta quem tem sentença condenatória definitiva, e é sempre possível recorrer, a cada eleição quadrilhas se assenhoram do poder ou se mantêm nele.
A questão seguinte é a do papel da Mídia e das religiões na política.
A imprensa, quando atrelada a partidos, tendências, siglas ou facções deve vir identificada, sejam folhetos, jornais ou revistas.
Sendo comerciais não devem usar o poder econômico e de comunicação para aliciar eleitores, devidamente subvencionadas por interessados, uma sutil forma de corrupção.
Já com o rádio e a tevê o negócio muda: não são propriedades particulares com controle absoluto do(s) seu(s) dono(s), mas concessões públicas, o que as leva (ou levaria) à obrigação da imparcialidade, e não a funcionarem como partidos políticos subvencionados também, quando não atendendo aos interesses econômicos e financeiros dos que exploram essas concessões.
A questão religiosa é gravíssima e não tem recebido a merecida atenção dos militantes de todo o espectro político, e que são democratas: há uma proposta de cristianizar o país, que deixaria de ser um estado laico para ser cristão, nos mesmos moldes do Islã.
Os golpistas, sejam de direita ou esquerda, colocam as caras na janela e damos-lhes porradas, desmascarando, mas os mal intencionados religiosos agem sorrateiramente nos milhares, senão já milhões de igrejas, de centenas, senão milhares de denominações de grupos, organizações, seitas, credos... E com um agravante: nos partidos a adesão se dá de forma ideológica, nas religiões, por questão de fé, por subordinação cega ao líder religioso, sem questionamentos, o que as faz cooptar acólitos, partidários e simpatizantes em todos os partidos, inclusive na esquerda.
A chamada bancada evangélica, conservadora e oportunista, já soma mais de um terço dos parlamentares do Congresso Nacional, o que se repete nos legislativos estaduais e municipais.
Nas emissoras de rádio, conhecidas como gospel, muitos e muitos milhares delas, entre comerciais, comunitárias e piratas, e nos horários comprados nas tevês, o discurso religioso é infinitamente maior, em tempo e capacidade de persuadir, que o discurso político.
Isto é o mínimo a ser feito, para que terminemos com a suruba atual, onde o partido que se intitula social democrata (PSDB) é neoliberal; o que se diz democrata (Dem) é neofascista; o que se diz trabalhista (PTB) serve aos patrões; o que se diz socialista (PT) é social democrata; os que se dizem cristãos (um monte deles) são a favor da redução da idade penal, da pena de morte, do aborto e da justiça com as próprias mãos; muitos dos que se dizem comunistas quebram orelhões e vitrines, queimam fusca, afastando a massa, em contramão da literatura marxista, que os deveria nortear; mais um monte de siglas de aluguel, onde cabem bicheiros, narcotraficantes, milicianos, líderes comunitários, latifundiários, jogadores de futebol, sem nenhuma ideologia ou conhecimento da política... Com uma única proposta: enriquecer ou ampliar as próprias fortunas.
PLEBISCITO JÁ! Ou mudamos o que está aí ou continuaremos navegando em águas turvas, sujas, podres, fazendo da política o esforço de não naufragar.

Francisco Costa
Rio, 27/04/2014.